curiosidades

BEM VINDOS !


Caros amigos, apreciadores da arte e da tecnologia de relojoaria, de todos os tempos. Este blog é nosso . Colaborem com as vossas ideias e sugestões.

Caros visitantes este Blog vai passar a ter duas páginas. Esteja atento à nova página: TECNOLOGIA DE RELOJOARIA.

BEM VINDOS !

Jaime F. Ribeiro

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

OBRA RARA DA RELOJOARIA MECÂNICA


Caros amigos deste Blog, que já são muitos, hoje tenho o previlégio  de partilhar convosco uma obra   rara  e de grande  valor histórico,  de 1759,  sobre a reparação de relógios mecânicos,  escrita po um espanhol, que parece ter prendido relojoaria  no Porto - Portugal  e que me foi gentilmente disponibilizada por uma pessoa amiga.

Clicar  no site, em baixo para apreciar esta maravilha.

http://www.wdl.org/pt/item/10626/#.UR1fzsqJnHA.mailto

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PARABENS !...

 
À Câmara Municipal de Torres Vedras, na qualidade de promotora do livro " Medição do Tempo em Torres Vedras" e aos seus autores José Mota Tavares, José António Madruga e Carlos Guardado da Silva,  pelo excelente  trabalho que realizaram no levantamento do património relojoeiro daquele concelho.
Pena que  tantos  daqueles maravilhosos  instrumentos,  de medição do tempo e da engenharia  mecânica de  precisão, estejam privados de exercer a sua função,  por  distração  dos seus proprietários, mas acreditamos que com o   diagnóstico agora realizado  as acções de  restauro não tardarão,  para  enriquecimento cultural  de toda aquela  bonita região e do nosso  país.   
 
Reproduzimos a seguir o documento  promocional do livro
 
Câmara Municipal de Torres Vedras -
Medição do Tempo em Torres Vedras
Autor: José Mota Tavares, José António Madruga e Carlos Guardado da Silva
Esta obra traz-nos a história dos relógios de uso público em Torres Vedras.
“Nesta ocasião, esforça-se o homem por criar sistemas que lhe forneçam a leitura do decorrer do tempo e este se intromete na sua vida e a gere independentemente da sua vontade. E percebe que tem uma total dependência do correr daquele. Emprega, ao longo da sua existência, a maior parte do seu trabalho na procura de soluções. E aparecem os relógios de água, de areia, de cera, de azeite e de tantas coisas mais, até encontrar a solução mecânica aí pelo século XIII, XVI. Aí foi “um ver se te avias” a procurar soluções para tornar essa assombrosa máquina precisa, a fim de lhe fornecer com exatidão a velocidade da passagem do tempo. Chegará maisi longe, mas será sempre dominado pela realidade cósmica: o sol não para, a lua ri-se e anda, e os bons dos planetas nem os ouvem! E continuam sempre as suas trajetórias… impávidos e serenos!
A história de Torres Vedras é rica, ou das mais ricas terras em fatores relevantes que os documentos escritos, arqueológicos e monumentais nos dão a conhecer. Muita coisa já se investigou e publicou para memória dos mais novos e proveito dos que vieram. E está nesta esteira o nosso trabalho acerca do tempo nesta terra.”
José Mota Tavares


Data de edição: Dezembro de 2012
Edição: Município de Torres Vedras


Locais de Venda: Biblioteca Municipal de Torres Vedras; Edifício Paços do Concelho; Museu Municipal Leonel Trindade e Posto de Turismo de Torres Vedras.

Preço: € 15
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Apontamento do Blogger sobre a biografia do Dr. José Mota Tavares,  que fez o favor de nos oferecer um exemplar do livro " Medição do Tempo em Torres Vedras"  e que nos autoriza a publicar  o  que for de sua autoria. Além deste  livro, o Dr. Mota Tavares é também autor, em parceria com o Fernando Correia de Oliveira do livro  Relógios e Relojoeiros.

José Mota Tavares, natural da Nazaré, dedicou-se à reconstrução e estudo da relojoaria mecânica, há mais de 30 anos, como actividade paralela à sua profissão de professor do ensino secundário e co-autor de livros escolares. Tem colaborado em revistas e jornais com artigos da especialidade e feito estudos de vários relógios públicos do país. Enquanto professor do Colégio Militar organizou e foi responsável pela maior exposição temporária de relojoaria em Portugal – 400 anos de Relojoaria, no Colégio Militar. Recentemente fez o estudo dos relógios mecânicos do Banco de Portugal, de que resultou a obra Os Relógios do Banco de Portugal.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

VALOR DE COLECÇÃO




De um leitor brasileiro, deste blog,  o senhor Eng. José Liparizi, recebemos um pedido de ajuda, na identificação   do  fabricante  do relógio de bolso que mostramos em baixo.
Diz-nos aquele amigo,   ter descoberto na relojoaria  um " hobby " que está a  aprofundar, na  medida em que   a sua motivação  vai  crescendo  proporcionalmente ao conhecimento que vai adquirindo  sobre   ciência / arte  dos relógios o que já faz dele, hoje, um notável coleccionador de peças  de referência .


 
 Mostrador com informação do ano, do mês, dia da semana e dia do mês


Mostrador com foto, certamente do seu proprietário  ou construtor ?





       
O mecanismo pode ter sido adaptado, a partir de um outro importado



É curioso verificar  que toda a informação  contida nos mostradores, frente e verso, está redigida em português. Este facto  fez o nosso amigo brasileiro supor, que se trata de uma peça de origem portuguesa  e devemos  afirmar que acreditamos assim ser.
E, ainda que não seja fácil identificar o autor  desta peça que,  a avaliar pela informação contida no mostrador, parece ter construída  no ultimo quarto do século IXX , este detalhe faz-nos  reduzir substancialmente o número de opções .
De   facto, sabemos que a partir de meados  do século XVIII se inicia em Portugal uma significativa actividade  de relojoaria, com a criação da Real Fábrica de Relojoaria , em Lisboa, que vai dar origem à produção nacional de diversos relógios de torre, parede e outros ditos de precisão ( bolso ? ). Na sequência desta actividade  surgem, um pouco por todo o país,  relojoeiros  de grande nomeada,  particularmente concentrados em Lisboa, Coimbra, Porto e Minho.
Por volta  de 1880  existe, em Lisboa, um relojoeiro  famoso, de nome Augusto Justiniano de Araújo, que desafia, com as suas criações, o que de melhor  nos chega da Europa. Este relojoeiro, então conhecido com  " Sábio Construtor de Relógios ",   esteve particularmente em foco,  quando apresentou, na Exposição Industrial de 1888 um relógio, de sua autoria, a que chamou de " Cosmocronómetro " ,  que acreditamos conter muita da informação que agora nos aparece, nas fotos  do  relógio que apresentamos . 
Devemos  realçar que o relojoeiro Justiniano de Araújo, não era um curioso   da mecânica,  estudou engenharia no Instituto Industrial de Lisboa, o que lhe permitia ter um entendimento  correcto  sobre desenho, construção e funcionamento  de aparelhos mecânicos.
Segundo  relatos históricos, sabemos ainda que  muitos dos  relógios deste " Sábio  Construtor de Relógios " foram exportados, nomeadamente para o Brasil, Angola e Açores o que vem dar dar credibilidade à possibilidade  do relógio  que mostramos , em cima, ser de sua autoria.
Por último queremos lembrar  Augusto Justiniano de Araújo, foi o fundador, em 1895, da  Escola de Relojoaria  na Real Casa Pia de Lisboa, que tendo  fechado nos primeiros anos  do sistema republicano, reabriu em 1951.
       
Depois destas " Dicas ",  agradecemos  toda a informação  que possa   ajudar  o  nosso  amigo  José Liparizi, a identificar o autor da sua " jóia " da  relojoaria  ( certamente portuguesa ),  do  século IXX.



 



segunda-feira, 16 de julho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O TEMPO E A HORA

O Problema da Hora na Actualidade - Extractos
Relatório de 1948 da autoria do Eng.  Geógrafo José António Madeira


3 -  A Precisão Actual  da Determinação e Conservação da Hora ( 1948 )


"No texto deste relatório referimo - nos à possibilidade de medir intervalos de tempo da ordem do centésimo  milésimo do segundo e mesmo do milionésimo . A medição destas grandezas  é hoje  um facto que está fora de qualquer  discusão, tendo entrado já na prática corrente  da astronomia e da física, pois de contrário teríamos que negar a utilidade  das inúmeras  aplicações do radar, das medidas balísticas de alta precisão, das  comparações de frequências  com a precisão de 1.10 ( levantado a -9 ) e de outras de natureza semelhante ".


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"Para melhor compreensão do problema sobre a precisão da hora, entendemos separá-lo em três partes, de harmonia com a realidade actual. 
Assim  referir-no-emos à  chamada hora extrapolada, hora interpolada e hora definitiva.


A hora extrapolada resulta  da utilização de várias pêndulas, quer baseando-se  unicamente nas observações  astronómicas do respectivo observatório, por métodos gráficos ou de calculo, quer resultante de um processo em que se atende não só à correcção da pêndula directriz, calculada por observações  meridianas, mas ainda  à correcção da mesma pêndula deduzida das recepções diárias de sinais horários. Este ultimo processo tem sido  usado no Bureau International de l'Heure".


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"A hora interpolada. Esta hora é obtida po meio das observações astronómicas e da própria pêndula  directriz ou da pêndula média do respectivo observatório".


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"A hora definitiva. Esta hora é calculada utilizando as recepções de sinais horários, as observações astronómicas e as pêndulas de um conjunto de observatórios, que constitui o chamado Observatório médio, e cujos resultados são enviados  regularmente ao Bureau International de l'Heure. É expressa em tempo de um meridiano muito perto do de Greenwich, cuja longitude em relação a ele, é igual à média dos erros da longitudes convencionais dos observatórios que cooperam na determinação desta hora . Por ocasião da 2ª campanha internacional das longitudes, em 1933 , a posição do Observatório Médio era de 15 milésimos de segundo de tempo a Este de Greenwich ".


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" Vê-se, portanto que o Problema da Hora na Actualidade, é uma consequência lógica e racional da evolução cientifica e técnica destes últimos anos. É em obediência a essa nova técnica e por premente necessidade da vida actual, que se procede agora à substituição quase total dos  dispositivos e métodos horários da época clássica, quer por instrumentos de observação  astronómica e de registo cronográfico, quer das próprias  pêndulas, mesmo das mais recentes que trabalham sob pressão e temperatura constantes" .


"a propósito da renovação dos seus equipamentos astronómicos  da hora, mormente na parte que diz respeito aos novos relógios  radioeléctricos :  " Nou possédons une horloge à quartz e nou sommes en train d'en faire construire encora 6 qui seront installées au cours de l'année  prochain "( director do Observatório de Neuchatel- 07 /10/1948).


    

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O TEMPO E A HORA


O Problema da Hora na Actualidade - Extractos
Relatório de 1948 da autoria do Eng.  Geógrafo José António Madeira


2 - Apresentação do Relatório no Instituto para a Alta Cultura 

"Partindo de Lisboa em 15/3/47, apresentei-me no Bureau International de l'Heure, no dia 20 do mesmo mês, tendo começado os meus trabalhos nesse mesmo dia, sob a superior orientação do ilustre Director daquele Serviço, Doutor  Nicolas Stoyko, e em 21 fui recebido pelo Exmo. Director do Observatório de Paris, Prof. A. Danjon.
Em 6-7-48, parti para Londres, sendo recebido em 8 pelo Astrónomo Real de Greenwich, Sir Spencer Jones.
No dia seguinte, apresentei-me no Serviço da Hora, em Abinger, perto de Dorking North, alternado as minhas visitas    entre esta secção e as de Greenwich.
Em 18, visitei as instalações  dos " Relógios Falantes " de Londres, em Holborn Telephone Exchange.
De regresso ao Bureau International de l'Heure, visitei o Observatório de Bruxelas, em Uccle, retomando os meus trabalhos naquele estabelecimento científico em 26 de referido mês de Julho, os quais foram concluídos em 15 de Setembro do mesmo ano ".

...............

"No que respeita ao Serviço Nacional da Hora, cuja criação se propôe neste relatório, tive apenas  em vista prestar ao País uma modesta contribuição sobre os novos conceitos da hora, relacionados com as nossas necessidades científicas  e técnicas, neste ramo da ciência, visando assim um fim de verdadeiro interesse nacional.
Além do apetrechamento que se  descreve, estudou-se também o projecto de um novo transmissor de sinais horários, um pouco diferente  dos sistemas actualmente existentes nos observatórios estrangeiros ".
...............

"Suponho que o Serviço Nacional da Hora, compreendendo emissões de sinais horários científicos e de  frequências, é uma necessidade que se impõe não só pela posição geofrafica que ocupamos, quer na Europa, quer noutros continentes, como também pelos riscos que se poderia  correr, ficando dependentes da estratégia estranha, em caso de guerra, sabido como é por todos que bastantes emissoras emudeceram ou alteraram as suas gamas, durante a última conflagração mundial, sendo até utilizadas, algumas vezes, na cifra e na espionagem.
Como é lógico, um centro da hora nas  condições que se propõe, interessa a todos os serviços públicos e particulares,. mas mais  directamente àqueles que a seguir, indiscriminadamente, se indicam:
  • Emissora  Nacional de Radiodifusão
  • Direcção dos Serviços de Electricidade e Comunicações do Ministério da Marinha
  • Direcção dos Serviços de Hidrografia, Navegação e Meteorologia Náutica
  • Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones
  • Direcção Geral e Companhia dos Caminhos de Ferro
  • Companhia dos Telefones
  • Administração dos Portos  de Lisboa e do Douro e Leixões
  • Aeronáutica Civil e Militar
  • Serviço Meteorológico Nacional
  • Laboratório Nacional de Radioelectricidade ( a criar )
  • Estudos de balística e aplicações do radar e outras questões militares
  • Observatórios Astronómicos
  • Laboratórios de Física
  • Instituto Geográfico e Cadastral
  • Junta da Missões Geográficas ( Ministério das Colónias )
  • Empresas produtoras e distribuidoras de energia eléctrica
  • Universidades
  • Liceus, colégios e grandes escolas do ensino elementar e técnico
  • Hospitais
  • Ministérios
  • Grandes fábricas e casas bancárias, etc.
Posto isto, Excelentíssimo Senhor Presidente, consciente de ter cumprido, espero merecer a vossa aprovação ".
A Bem da Nação
Lisboa, 15 de Novembro de 1948
José António Madeira  


Nota do Blogger:


Não sei se o Serviço Nacional da Hora proposto, neste relatório, alguma vez foi constituído ou funcionou. O que sei, é que em 1965  aceitei um convite  da CNE- Companhia Nacional de Electricidade ( hoje REN ), para ingressar na companhia e aí desenvolver uma  Rede Horária, que fosse credível para clientes e fornecedores,  em virtude dos desfasamentos horários então existentes e dos custos  envolvidos.
Completado o projecto,  em 1966,  havia então que  construir os Relógios  especificamente concebidos para o efeito o que esteve  na  origem da  minha transferência para a Fábrica Nacional de Relógios - Reguladora SARL,  onde fui assumir o lugar de Director Técnico, em substituição   do meu   Mestre Suíço Walter Sutter, que entretanto havia regressado ao seu país. Em 1969 os Relógios começaram e ser fornecidos e em 1970 a  Rede Horária da CNE estava a funcionar com plena satisfação  dos interessados.