curiosidades

BEM VINDOS !


Caros amigos, apreciadores da arte e da tecnologia de relojoaria, de todos os tempos. Este blog é nosso . Colaborem com as vossas ideias e sugestões.

Caros visitantes este Blog vai passar a ter duas páginas. Esteja atento à nova página: TECNOLOGIA DE RELOJOARIA.

BEM VINDOS !

Jaime F. Ribeiro

sábado, 29 de janeiro de 2011

CURIOSIDADES DA RELOJOARIA PORTUGUESA

1- HOMENAGEM AO PADRE " Relojoeiro " JOÃO LIMA TORRES

Até meados do século passado os chamados Relógios de Torre, tiveram uma importância fundamental na informação das horas ás populações, com particular ênfase nas pequenas e médias comunidades, onde além da indicação das horas e meias horas havia também o tocar de uma melodia tendo, em Portugal, ficado muito popular a conhecida a Avé Maria de Fátima, introduzida pela Reguladora, nos seus carrilhões.
Dois locais público, adquiriram a primazia da colocação deste relógios ; Igrejas e Edifícios Municipais. Não é por isso de estranhar que alguns Padres, enquanto homens de cultura e ciência, tenham encontrado na relojoaria um hobby para os seus tempos livres.
Em 1970, enquanto director da Fabrica de Nacional de Relógios –Reguladora, em V.N. Famalicão, fui contactado por uma irmã de um convento, em Barcelos, sobre o interesse , para a Fábrica, na aquisição do espólio de relojoaria do falecido padre João de Lima Torres.
Observado o material exposto, conclui que tal não tinha qualquer interesse para a fábrica , mas que o mesmo poderia ter alguma utilidade para um relojoeiro reparador. Aconselhei, por isso a irmã a contactar os relojoeiros de Barcelos e eventualmente de Braga sobre o assunto.
A irmã agradeceu a minha deslocação e para me compensar fez questão de me oferecer um envelope que continha um livro, sobre relógios eléctricos e alguma documentação sobre a actividade relojoeira do Padre Lima Torres.
“ Religiosamente “ guardei aqueles documentos e são alguns extractos deles que hoje publico, neste blog, por considerar relevante a sua divulgação, sobretudo para aqueles que como eu se interessam pela relojoaria, independentemente de até exercerem outra actividade.
O padre João Lima Torres, não se limitava a apreciar os relógios, como estudioso e inventor criava os seus próprios relógios, desenhando e calculando peças e sistemas para relógios de torre que depois mandava produzir em oficinas do Porto ( J. Ramos & Irmão ) e com o recurso a peças de relógios do Jura Francês, onde este relógios se fabricavam desde meados do século XVIII e que na altura tinha um importador em Albergaria-a-Velha ( Miguel Marques Henriques ).
Pelas informações que obtive, embora não o possa afirmar categoricamente, tudo indica que tenha sido o Padre João Lima Torres o mentor, senão o autor, da introdução da melodia Avé Maria de Fátima nos relógios da Reguladora.
A seguir mostro três documentos, com cálculos e desenhos para o relógio da torre da igreja de São Romão – Barcelos e duas fotos do respectivo relógio, datado de 1950.















quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

RELÓGIO MOREZ PARA VENDA


HISTÓRIA DO RELÓGIOS MOREZ


Os Relógios Morez, Morbier ou Comtoise, são provenientes do Jura Francês, onde aparecem nos finais do século XVII e perduram até aos nossos dias.

No essencial, este relógios mantêm-se fieis a um extraordinário e simples, mecanismo de relojoaria cuja evolução, ao longo dos séculos, permite distinguir 4 gerações de Relógios Morez.




QUARTA GERAÇÃO:

Situa-se me 1850 e 1915 . Estes relógios adquirem grande popularidade, pela sua simplicidade e sonoridade ( o som da sua campainha é audível a grande distancias, o que era um benefício, significativo, para a época ).

Passam a ter importância decorativa nas casa senhoriais e os pêndulos ganham uma dimensão decorativa com a sua
forma de lira, suportada por um grande número de tiges
( entre 5 e 11 ), alternadamente em latão e aço. O diâmetro das lentilhas situa-se normalmente entre 25 e 35 cm .

Na actualidade comercializam-se Relógios Morez, restaurados e também reproduções da quarta geração, que continuam a ser produzidas no Jura Francês.

Preço: 500 Euros

Nota: Interessados devem deixar informação em Comentários ao post

quinta-feira, 29 de julho de 2010

...LEMBRANDO O MESTRE WALTER SUTTER

Através deste Blog, fomos contactados por Monika Sutter Annen, residente em
Switzerland, mostrando interesse em obter notícias sobre a estadia de seu pai ( o saudoso Mestre Walter Sutter ), em Portugal.
Aqui lhe deixamos duas das últimas fotos de seus pais, em Portugal, por ocasião da homenagem que a Casa Pia de Lisboa prestou aos seus ex- Mestres do Curso de Relojoaria, no 3 de Julho de 1991.






3 de Julho de 1991
Mestre Sutter é cumprimentado pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares



3 de julho de 1991
Mestre Sutter e esposa - Arminda Sutter junto à sala de aulas com o seu nome





3 de JULHO DE 1991 - MESTRE SUTTER deixa-se fotografar com o seu discípulo Jaime F. Ribeiro ( autor deste Blog ) e uma aluna do curso de relojoaria da CPL.



3 DE JULHO DE 1991 - ARMINDA SUTTER visita a Casa Pia, por ocasião de uma homenagem ao Mestre.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CONSOLIDAÇÃO DA ESTRUTURA DOS RELÓGIOS MECÂNICOS

Entrada 22
rev. Fev.28,10

O desenvolvimento operado, inicialmente de forma artesanal, na fabricação de relógios, até meados do século XVII e o interesse que os mesmos foram suscitando nas entidades eclesiásticas, publicas e privados abastados, conduziram, inevitavelmente, à necessidade de uma certa normalização na forma de fabricar relógios, favorecida naturalmente, pelo emergir da criatividade humana de processos de desenvolvimento cada vez mais inovadores, acabando por dar origem a uma actividade de produção em série, certamente precursora mundo industrial moderno.

Ainda que os volumes de produção só comecem a aumentar a partir do século XVII a verdade é que já no século anterior, nomeadamente durante a segunda metade, são conhecidas fábricas de relógios de torre, de apartamento e de quarto, na Suíça, em Zurique, Winterthour, Le Locle ( O museu de Le Locle tem relógios deste período); na França , onde emergem os famosos relógios Morbier e Morez ( aos quais dedicaremos um próximo artigo ) , mas também na Itália e na Alemanha , que juntamente com a Inglaterra formavam, na época, o conjunto das nações relojoeiras.

A Inglaterra teve particular destaque, graças ao espírito inventor de muitos dos seus relojoeiros e à qualidade dos mecanismos produzidos. Mostraremos, em baixos alguns exemplos de invenções e relógios.

É durante este rico período da consolidação da estrutura dos mecanismos de relojoaria que , em 1649, Vincenzio, filho de Galileo, constrói o primeiro protótipo de um pêndulo segundo a teoria do isocronismo e desenhos deixados por seu pai .








Em 1655 Christian Huygens inventa a suspensão para o pêndulo, flexível, que passa a ser um marco histórico na produção de relógios de precisão. Se até então a precisão de um relógio se media em minutos, a partir da invenção de Huygens passa a ser medida em segundos .

Falta foto suspensão

Em 1671 , em Londres , Inglaterra , William Clement e Robert Hook, trabalhando em conjunto , inventam o escape de âncora que vai permitir uma explosão deste novo mecanismo em todo o tipo de relógios.













Com as invenções deste período, fica, praticamente completa a estrutura dos relógios tal como ainda hoje a conhecemos e que mostramos, em baixo, exceptuando, naturalmente os relógios electrónicos / digitais, mais sofisticados, que não fazem parte desta avaliação.

Estrutura de um relógio mecânico normal:

1 Platinas
2 Fonte de energia motora
3 Transmissão ou engrenagens ( inclui sistema de minuteria )
4 Sistema de escape
5 Sistema de regulação
6 Sistema de informação

Platinas: Em tecnologia de relojoaria, chamamos de platinas às peças (em barra ou em chapa ) que servem de apoio às engrenagens . Ao longo do tempo, as platinas também evoluíram bastante, tendo em consideração não só o seu aspecto estético mas principalmente devido à necessidade de redução do atrito, no movimento de rotação dos pivots dos eixos das rodas e carretos. Também a matéria prima usada na sua fabricação evoluiu, passando da madeira usada inicialmente, para o ferro fundido, o aço, o alumínio e finalmente o latão.









Fonte de energia: Para mover as engrenagens é necessária a existência de uma força motriz. Nos relógios mecânicos esse força é produzida por uma de duas fontes : Pesos e molas ou cordas . Com o aparecimento da electricidade surgiram também pequenos motores eléctricos como fonte de energia .
Inicialmente apenas eram usados os pesos e este facto era bastante limitador da mobilidades dos relógios e do seu uso doméstico. A descoberta da mola ( ) foi fundamental para dar aos relógios uma outra dimensão de mobilidade e decoração.


















Transmissão: Chamamos transmissão ao conjunto de rodas e carretos que constituem o mecanismo. Num relógio simples existem , em regra , três rodas de movimento e a roda de escape. Para além do mecanismo de movimento um relógio pode ter outros, como por exemplo; o mecanismo de sinalização de horas, meias horas e quartos e também mecanismos para melodias ( casos de carrilhões com Ave Maria de Fátima e de Westminster ) ou ainda mecanismos de astrologia, em relógios mais complexos.
As rodas dos relógios foram inicialmente fabricadas em madeira e os carretos feitos com cavilhas de aço cilíndricas. Posteriormente as rodas passaram a latão com grandes cavados para reduzir peso e atrito e os carretos são fabricados em aço, fazendo parte integrante do eixo das rodas.
Uma das particularidades das engrenagens de relojoaria é o perfil dos seus dentes, dado tratar-se de engrenagens desmultiplicadores de força, onde qualquer atrito é naturalmente, relevante .





Desenho




Sistema de escape : Este sistema transmite ao sistema regulador a energia recebida do órgão motor e de forma adequada às oscilações pré estabelecidas , na construção do relógio, vai libertar ( deixar escapar ) aquela energia, permitindo assim uma marcha correcta dos ponteiros . O sistema de escape é constituído por duas peças: A roda de escape e a ancora . A ancora é a peça que faz a ligação entre a roda de escape e o sistema regulador e transforma o movimento circular em movimento oscilante
Nos relógios que vimos a apresentar existem basicamente três tipos de escape:



Desenho







Sistema de regulação: Chama-se sistema de regulação, ao órgão oscilante, pêndulo ou balanço que vai determinar o rigor da marcha do relógio. No caso dos relógios fixos, o órgão oscilante por excelência é o pêndulo ( inventado por Galileo ( 1641 ) . O seu aspecto decorativo também evoluiu bastante ao logo dos tempos. No caso dos relógios de pêndulo e para uma marcha correcta e ainda importante referir a forquilha de transmissão e a suspensão.
























A necessidade de criar relógios cada vez mais portáteis ou móveis deu , obviamente, ao conjunto balanço espiral, inventado por Chritian Huygens em 1675, o predomínio deste órgão regulador, na marcha destes tipo de relógios.




















Sistema de informação: Basicamente o sistema de informação é aquele que através de um mostrador e dos ponteiros nos indica a hora, os minutos e eventualmente os segundos. Com os tempos foram introduzidas outras informações, como a indicação sonora de horas, meias horas e quartos e também melodias, tipo Westminster e Ave Maria de Fátima .













Exemplos re relógios Ingleses deste período:















A partir do início do século XVIII e até finais do século seguinte, dá-se uma autêntica explosão da relojoaria, para a qual contribuem a capacidade criativa e o prestígio inovador de muitos relojoeiros, alcançada na construção de maravilhosas obras primas, na arte de fazer relógios, bem como do desenvolvimento tecnológico alcançado pelo aperfeiçoamento da engenharia mecânica, que vão responder às exigências, cada vez maiores do mercado. Além dos relojoeiros, neste processo foram igualmente determinantes muitos empresários e artistas do sector da relojoaria em países como a França e Inglaterra. Posteriormente também Alemanha – floresta negra, e até Portugal – Reguladora ( 1892) deram a sua importante contribuição para esta actividade que teve tanto de engenho como de arte !

Seguem-se fotos de alguns exemplares, de referência, desta época de ouro da Relojoaria europeia.












Oportunamente colocaremos uma entrada dedicada à produção da Fábrica Nacional de Relógios- Reguladora , empresa na qual o autor deste blog foi director, do sector de relojoaria, durante 6 anos .

No próximo artigo iremos abordar os famosos relógios Franceses de Morez, nas suas quatro gerações desde o a seu aparecimento , por volta de 1650, até aos nossos dias. Uma das máquinas preferidas pelo autor deste blog.

domingo, 22 de novembro de 2009

RELÓGIOS MECANICOS

RELÓGIOS GÓTICOS

Transição, nos instrumento de medição do tempo, para os Relógios Mecânicos .

“ Ficámos decadentes logo que perdemos as novas tecnologias, dos relógios e outras . Perdemos ( …) também a economia dos mares em favor dos fabricantes dos relógios, os ingleses e os holandeses “

Parece evidente, que ao longo da história da humanidade, as pessoas sempre inventam ou descobrem os recursos, de que necessitam, para satisfazer as suas necessidades.

O caso da Relojoaria não é excepção. E, de facto, as necessidades que as pessoas foram tendo em medir o tempo, em intervalos cada vez menores e com maior rigor, além também de disporem de instrumentos tão independentes quanto possível, da instabilidade e curta duração das fontes de energia, acabaram por conduzir, no finais do século XIII, princípios do século XIV, ao aparecimento dos primeiros Relógios Mecânicos, que apresentavam significativas melhorias relativamente aos instrumentos anteriores ( Relógios de Sol, Clepsidras, Ampulhetas e outros ).
Embora existem duas referências históricas da existência relógios, considerados mecânicos, anteriores ao ano de 1300, uma em Chartres-França datado de 1258 e outra em Londres , de 1283 e de que o sistema de escape usado nos relógios, foi uma invenção de um senhor chinês chamado IHING no ano 726, da nossa era, a verdade é que existe um enorme consenso de que foi em 1300, na Catedral de Bauvais - França, que foi instalado o primeiro relógio considerado mecânico.
Seguindo-se uma enorme lista de locais religiosos e públicos, por toda a Europa, onde foram instalados aqueles relógios, com sucessivas inovações,quer de design quer de funcionamento. A título de curiosidade indico algumas dessas datas e locais de instalação, mais emblemáticos, nos primeiros 100 anos .

1306 – Milão – Itália, Igreja de St. Eustorgio, reconhecido como o primeiro relógio em Itália com mostrador no exterior.

1334 – Paris – França “ C’est l’horloge du Palais / Qui marche comme il lui plait “

1344 – Londres – Inglaterra. É instalado o relógio da Catedral de St. Paul, com indicação sonora das horas.

1354 – Strasbourg – França, Catedral. Primeiro relógio com informação astronómica.

1363 – Zurich – Suisse , Igreja de St. Pierre com informação sonora

1368 – Londres, Abadia de Westminster, relógio com informação sonora.

1380 – Frankfurt – Alemanha, Catedral, relógio astronómico.

1407 – Bale – Suisse, é instalado um relógio público, na fachada da Câmara Municipal


Durante os dois séculos que se seguem, XV e XVI, são aos milhares os relógios mecânicos instalados , em igrejas , conventos , palácios e locais públicos, por toda a Europa, para além dos de utilização doméstica e cada vez com informação mais completa sobre as horas e astronomia, ainda que no essencial e durante este período mantenham basicamente à mesma estrutura construtiva.

Todos este mecanismos de torre ou domésticos, têm nos pesos a sua fonte de energia, o sistema de escape é o Foliot ou Foliot circular e o sistema das engrenagens (rodas e carretos ), são colocados na vertical e apoiados numa estrutura de ferro com “ buchas “ de bronze . Esta estrutura vai manter-se até cerca de 1741, altura em que a luta pelo predomínio do mercado deste relógios, entre a França e Inglaterra, leva o Francês Julien Le Roy a inventar uma nova estrutura com a colocação do “ trem “ de engrenagens na horizontal. Este sistema, por ser mais económico ( menos peças e menos trabalho ) , melhor distribuição da força e menos atrito, logo mais duração e ainda maior facilidade de montagem e desmontagem ( importante nas manutenções ), acabou por se impor ao mercado, como o relógio mecânico de torre, ideal, e assim chegou até aos nossos dias com a designação de relógio horizontal, para os distinguir da estrutura vertical, com que inicialmente apareceram.



A figura 1 mostra o esquema básico dos primeiros relógios mecânicos





A figura 2, o princípio de funcionamento do escape Foliot





A figura 3, um relógio de torre vertical








A figura 4 um relógio de torre horizontal do palácio da Bastilha- França





O desenvolvimento da relojoaria é reconhecido como um valioso contributo para o progresso da ciência e da economia e os seus protagonistas valorizados e prestigiados .


E em Portugal ? …A tradição !... :

“ Ficámos decadentes logo que perdemos as novas tecnologias, dos relógios e outras . Perdemos ( …) também a economia dos mares em favor dos fabricantes dos relógios, os ingleses e os holandeses “ – Carlos Fiolhais, referido no livro, História do Tempo em Portugal, de Fernando Correia de Oliveira.

Enquanto em França e outros países da Europa , em meados do século XIV, a profissão de relojoeiro e construtor de relógios é reconhecida, prestigiada e fonte de progresso económico e tecnológico, em Portugal segue-se a tradicional indiferença / apatia / arrogância ( ? ), sendo que as primeiras informações relevantes datam de meados/ finais do século XVI ( duzentos anos depois da França ! ). Entre nós, existem referências dispersas à profissão de relojoeiro, como na cidade de Lisboa -1570 e a um “mestre de fazer relógios “ em Guimarães – 1585 e a alguns locais com relógios de torre com Santarém, Marvila , Serpa, Tomar e outros , mas sem se perceber bem a lógica da sua instalação, a sua importância ou contributo para o desenvolvimento local ou regional.
Até princípios do século XVII são irrelevantes as referências sobre a importância dos relojoeiros e de construtores de relógios, em Portugal, bem como do seu contributo para o desenvolvimento da economia, da ciência e da tecnologia nacionais, ao contrário do que estava sendo feito por toda a Europa e foi continuado nos séculos, onde a evolução da relojoaria teve um contributo fundamental no desenvolvimento de atitudes profissionais e sociais de rigor.
Assim e talvez mais grave do que termos perdido a tecnologia, foi não termos aprendido a estar a horas e a fazer o que deve ser feito, quando tem de ser !
Nos finais do século XV dão-se ainda duas descobertas importantes, para a evolução da relojoaria, o aparecimento da “ mola “ como órgão motor , que começa a substituir os pesos nos “ relógios domésticos” – 1460, com o aparecimento dos primeiros relógios de mesa – fig.5, e os estudos de Léonard de Vinci – 1494 sobre um seu sistema de escape para relógios de pêndulo, que não chegou ser realizado.

Fig. 5

No século seguinte, em 1583 Galileo descobre o isocronismo das oscilações do pêndulo. Tendo sido condenado pela inquisição em 1633, Galileo transmite ao seu filho Vincenzo em 1641, o resultado dos seus estudos de um sistema de escape para pêndulo.

Com o aperfeiçoamento dos relógios de torre, o aparecimento da “mola “, como fonte de energia e as descobertas de Galileo nasce uma nova Era na relojoaria e para a ciência em geral. Mas sobre isso falaremos noutra ocasião.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

LIDERANÇAS

Capítulo I

O tema Liderança tem sido, estou bem certo disso, um dos mais atractivos e motivadores da minha vida, quer a nível pessoal quer profissional. Primeiro porque muito cedo, aos 12 anos de idade, fui confrontado com a situação de aprender a viver sozinho, depois porque aos 16 fizeram de mim um Monitor de 30 colegas de colégio, para aos 26 anos ser convidado para a função de director de uma fábrica, com cerca de 600 pessoas.

Em todas aquelas experiências, tão extraordinárias, como surpreendentes, mas muito enriquecedoras, aprendi essencialmente com os erros que fui cometendo, com a dedicação de muitos dos meus colaboradores, com a reflexão sobre os erros, sua consequências e acções para os evitar. A principal conclusão a que cheguei, validada até aos dias de hoje, é de que uma boa Liderança não é uma questão de força, mas de inteligência.

Assim e graças às oportunidades que me foram sendo proporcionadas por empresas Americanas, onde trabalhei, entre 1972 e 1997, no desempenho de diversas funções de Direcção e Consultoria , fui consolidando a ideia de que para além das múltiplas definições que aparecem nas dezenas / milhares (?) de livros sobre estes assuntos, a Liderança pode resumir-se a; uma relação entre o Líder e os seguidores (liderados ), da forma como ambicionam, procuram e se esforçam, em conjunto ( equipa ), para alcançarem uma visão / acção partilhada.

Mas e para chegar a esta definição, aparentemente simples, um bom Líder;
aquele ou aquela que sabendo interpretar causa / ideias e pretensões /
ambições, combina de forma eficaz a acção com a reflexão, trabalha
com a sua equipa, na definição de metas e objectivos e acompanha
os resultados para contínuo benefício da organização que representa.


Um Líder, na sua formação, deve passar, essencialmente, por 3 patamares de níveis de exigência diferenciados:

1- Saber / fazer uma boa Liderança a nível pessoal

2- Saber / fazer um elevado nível de Motivação, das equipas lideradas, tendo presente os resultados e metas a alcançar.

3- Saber / fazer uma Liderança Estratégica, definido correctamente “ O que” deve e não deve ser feito .

Em futuros capítulos sobre este tema, poderemos abordar cada um destes patamares , por agora quero deixar algumas Reflexões / Provocações.

Não é bom Líder quem quer, em tão pouco se nasce um Bom Líder.
Uma boa Liderança, enquanto acção do Líder, também não se esgota com a obtenção de qualquer grau académico. Ela será sempre o resultado de um trabalho árduo e inteligente, na busca das melhores soluções para levar outras pessoas a surpreenderem-se , pela positiva, com a dimensão dos resultados que conseguem atingir graças ao elevado nível de auto motivação que desenvolvem, numa procura contínua de melhoria de processos e métodos.

O sucesso de um bom Líder é o sucesso, nos resultados, dos seus liderados e não o seu enriquecimento pessoal !

Entre as diversas características / qualidades, dos Líderes, que podemos vir a desenvolver, no futuro, hoje, quero deixar a ideia de que actualmente e nos mais variados locais da Terra, existe um enorme consenso, entre as pessoas com experiências positivas em Liderança, de que um bom Líder tem de ser alguém capaz de desenvolver uma Visão clara, sobre as Metas que pretende atingir, devidamente suportada por Valores e Princípios Éticos que o auto-motivem a alcançar os seus propósitos, e capaz de partilhar essa Visão, Valores e Princípios com os seus liderados. O Líder tem dar o exemplo de estar na frente, em tudo o que pretende dos outros !

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

TEMPUS

CAPÍTULO I

O primeiro capítulo deste blog é dedicado ao sector TEMPUS (nunca houve, não há, nem nunca haverá, boas Lideranças sem rigor no recurso Tempo). Hoje abordámos os mais antigos instrumentos de medição do tempo. Outros se seguirão, mas o próximo capítulo irá ser dedicado ao sector LIDERANÇAS ( tão necessárias ...em Portugal!).